A humildade até pode ser considerada fraqueza, porém, diante de Deus, não!



A humildade até pode ser considerada fraqueza, porém, diante de Deus, não!


Caro internauta, o título deste artigo traz um questionamento bastante simples e direto, causando a impressão de que sua resposta também seja simples. Entretanto, vamos perceber que não é bem assim. Quer ver? Responda esta pergunta: “Quem foi e ainda é o maior exemplo de humildade para toda a humanidade?”. Tenho quase certeza que você pensou em Jesus, e mesmo que não tenha pensado n’Ele, certamente, você concorda que Jesus representa um exemplo de humildade.


Agora, responda esta outra pergunta: “Para você, Jesus foi um homem forte ou fraco?”. Não tenho dúvida que, para os Seus discípulos, Jesus seria considerado o mais forte dos homens, porém, para os fariseus, ele seria apontado como o mais fraco e desgraçado deles. Que valor ou fortaleza teria, afinal, um homem que fora zombado, humilhado, desprezado, escarnecido e que, por fim, morrera pendurado numa cruz? Seguramente, nenhum.


Antes de continuar nosso assunto, quero fazer um breve apontamento de um fenômeno muito comum atualmente, aquele que leva à “super-hominização” das pessoas, ou seja, a transformação de personalidades em “super-homens” e a sua valorização. Valoriza-se, portanto, os de “humanidade elevada” que, geralmente, são aqueles que estão no destaque midiático ou os que se sobressaem num grupo mais seleto de pessoas. Afinal de contas, é mais fácil reverenciar um “super-homem” que admirar um homem comum, não é verdade? Portanto, dentro desse cenário de valorização dos “super-humanos”, as atitudes humildes podem ser confundidas ou consideradas indícios de fraqueza, de rebaixamento, enfim, de vergonha. Vou além: talvez, já nem seja mais classificado como “indício”, mas sim a comprovação irrefutável de covardia.


Apenas a título de informação, se caso fizermos um breve exame lexicológico da palavra “humildade”, descobriremos que, na sua origem, encontra-se a expressão latina “húmus” referindo-se àquela terra escura composta por material orgânico em decomposição. “Húmus”, por sua vez, também está diretamente ligada à expressão latina “humilis”, que deu origem à palavra “humilitas”, que significa “terra”, “pouca elevação”, “baixeza”, enfim, “humildade”.


Chegamos ao cerne da questão: humildade não é sinal nem indício de fraqueza, muitíssimo pelo contrário, é sinal de fertilidade e de vida; é fator de crescimento, desenvolvimento, amadurecimento, frutificação. É ou não é verdade que o solo humoso é o mais fértil? Que agricultor prefere um solo organicamente pobre ao solo repleto de húmus? Certamente, nenhum!


Afinal, o que é a humildade e qual a sua relação com a terra?

Quero, pois, num primeiro momento, acenar para uma resposta pela via apofática (via negativa), ou seja, em vez de dizer o que a humildade é, tentarei dizer o que ela não é. Enfim, a humildade, em última instância, não é nem se encontra em nossos movimentos aparentes, nos comportamentos ensaiados, planejados, dissimulados. O ambiente uterino da humildade encontra-se no interior da alma, é uma atitude do espírito que leva à obediência da vontade de Deus e nos coloca a serviço do próximo.


Cabe ressaltar que o ato de rebaixar-se nem sempre é sinal de humildade. Às vezes, até mesmo o orgulho habita a alma daquele que, humilhando-se perfeitamente diante de Deus, nunca se humilharia diante de outro homem, afirma o filósofo católico Louis Lavelle em sua obra intitulada “O erro de Narciso”. A humildade, portanto, possui estas duas dimensões: a vertical, o movimento do homem para Deus; e a horizontal, do homem para o próprio homem. Sem a primeira dimensão trata-se de uma humildade natimorta, e sem a segunda, de uma pseudo-humildade.


Esse mesmo pensador afirma ainda que a verdadeira humildade é transcendente e rara. Trata-se daquele último rebaixamento do nosso ser para a terra e, ao mesmo tempo, exige um supremo erguimento da nossa alma para Deus. Portanto, a humildade está expressa na situação da terra.


A terra está sempre lá, pronta para tudo aceitar e nunca é lembrada. A terra é constantemente pisada por todos, pelos ricos e pelos pobres, pelos justos e pelos iníquos. Nela, despejamos, sem piedade, tudo o que não presta, tudo aquilo de que não temos necessidade. Silenciosa, tudo aceita, tudo acolhe e, milagrosamente, transforma todos os nossos resíduos em novas riquezas. Ela é capaz de converter a corrupção em força vital. A terra está aberta à luz do sol, à chuva, ao calor e ao frio, além disso, está sempre disposta a receber qualquer semente e, desta pequena semente, produzir frutos trinta, sessenta, cem por um.


Enfim, caro internauta, diante dos homens, a humildade até pode ser considerada fraqueza, porém, diante de Deus, não. Sejamos terra boa, aquela que produz frutos. Transformemos os resíduos humanos em vida e riqueza. Não fiquemos esperando que o dom da humildade caia do céu, isso jamais acontecerá. Caso não saibamos por onde começar, tenho uma sugestão: “inclinate capita vestra Deo!”, ou seja, “inclinai a vossa cabeça diante de Deus!”.


Deus abençoe você e até a próxima!

Seminarista Gleidson de Souza Carvalho Missionário da Comunidade Canção Nova

https://santuario.cancaonova.com/artigos-religiosos/humildade-e-sinal-de-fraqueza/

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